A música, dentre todos os sons é o mais valorizado. Melodia, harmonia e ritmo seguem linha reta e estão unidos, agradando todas as fases do ser humano. Segundo o criacionismo, Lúcifer era o responsável pelo coral angelical no céu, até ser expulso de lá por Deus e divulgar a música, ao seu modo, por toda a Terra. Já para os antropólogos, a música já era evidente na pré-história, onde os povos usavam paus e pedras para emitir sons rítmicos.
Mas é fato que a ascensão da música aconteceu na Ásia central e na África na idade antiga. A música estava presente em rituais, festas religiosas e até nas guerras. O estilo conhecido e talvez o único à época fosse o erudito. A partir daí, um novo conceito musical começou. Martinho Lutero,Mozart, Choppin. Até sairmos da música clássica e aderirmos de uma vez ao popular.
No Brasil temos exemplos reconhecidos mundialmente como Ton Jobin e Vinícius de Morais e até artistas mais contemporâneos como Michel Teló e a banda de Thrash Metal, Sepultura. É notória a evolução da música, estilos surgindo, artistas ovacionados e a popularização de acordes. Com isso os pequenos detalhes, de como se tornar um músico de valor, com todas as honras, estão perdidas na linha do tempo. Será?
O ensino da música é tradição em várias partes do mundo. Em Roraima não é diferente. A primeira instituição pública a ensinar o ofício da música foi a Escola de Música de Roraima (EMUR), que existe há 24 anos. Hoje comandada pela professora Dorly Guerra, a escola passou por períodos de mudanças, mas nunca deixando o tradicionalismo para trás. Ela oferece desde o ensino básico até o técnico, para que o aluno, além de aprender a tocar um instrumento, tenha embasamento teórico, para também, posteriormente, perpetuar o ensino a outras pessoas por meio do que aprendeu por longos anos.
Agora Roraima vai oferecer a Licenciatura de Música por duas instituições de ensino públicas: Universidade Federal de Roraima (UFRR) e a Universidade Virtual de Roraima (UNIVIRR). Uma nova oportunidade para quem valoriza a música como estilo de vida e deseja repassar aos futuros músicos as canções de partituras.
Os cursos foram aprovados por comissões de educação, que estudaram a possibilidade de uma grande demanda na área de música. Fato este que animou as duas universidades. As pesquisas apontaram um grande interesse na população em lecionar música. Com isso, as duas instituições deram prioridade para a licenciatura do curso.
O Ministério da Educação (MEC) exige que todos os estados tenham licenciatura em algum tipo de arte. A UNIVIRR, sendo uma instituição estadual procurou se adequar às normas. A Universidade Virtual trabalha com ensino à distância e semipresencial. Contudo, conseguiu uma parceria com a Universidade de Brasília (UNB) para que trouxessem a faculdade de Artes e a de Música. “O estado vem se desenvolvendo, a Escola de Música é uma referência, só que não existe ainda habilitação de nível superior para os profissionais desta área”, ressalta o reitor da UNIVIRR, Notato Mesquita.
A licenciatura ofertada pela Universidade Virtual será semipresencial, ou seja, haverão aulas práticas presenciais com os professores da UNB. Foi fechada uma parceria com a Secretaria de Educação e Desportos (SEED) que cederá salas da EMUR, para realizarem as aulas, que acontecerão aos finais de semana. As provas acontecerão no dia 11 de agosto.
Já na UFRR, o curso de música foi o ultimo a ser implantado por meio do programa "Reúne de Expansão das Universidades Federais". Fatores como dados do EducaSenso e o questionário socioeconômico da Comissão Permanente de Vestibular (CPV) da universidade, foram importantes para a adesão do curso. Após este estudo, uma comissão de criação foi formada e então aprovaram a licenciatura, de acordo com o Pró-Reitor de Extensão e Graduação Fábio Luiz Wanckler.
| O REFÚGIO DA MÚSICA NA UFRR |
A graduação de Música aos olhos de uma professora
Eunice Montanari é professora de piano na Escola de Música de Roraima. Estudou durante 11 anos na escola e hoje compartilha todo o seu aprendizado aos novos músicos. Ela se orgulha por Roraima oferecer aulas de música gratuitamente, mas que a instituição precisa de apoio para conservar os instrumentos para que não se danifiquem e percam o som original. Ela concorda com a graduação de música, porém, acredita que o curso chegou com atraso. “muitos alunos que estudaram na escola foram morar em outros estados porque aqui não tinha esse curso. Vale ressaltar ainda, que o curso oferecido pelas instituições é de Educação Musical, com o objetivo de habilitar os professores de música que atuam nas salas de aula ministrando “artes”. Ou seja, ainda teremos nossos jovens saindo daqui para estudar música fora do estado, pois eles querem ser músicos práticos com suas habilitações em instrumentos”, opinou a professora. Porem, para os professores que atuam ministrando a disciplina de artes e aqueles músicos de formação livre terão a oportunidade de se graduarem agora. "Que seja bem vinda a graduação de Educação musical e que venham outros cursos para os que desejam ter habilitação instrumental”, completa Eunice.
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